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Vivemos de forma razoavelmente feliz

por Luís Naves, em 12.01.15

Sinto às vezes o peso do pessimismo, sobretudo quando não tenho uma ideia clara que possa colocar no papel ou quando a minha mente se dedica a uma deambulação ociosa, sem se fixar num ponto do universo. Às vezes, quando olho para o que me rodeia, fico quase deprimido com o consumismo e a indiferença, a pedinchice e o miserabilismo, com a vitimização hipócrita e o exagero teatral. Tudo me parece histérico e demasiado tristonho, caricatura do pinto Calimero, que só via desgraças à volta. Sobretudo entristece-me a falsa indignação que se prende a coisas pequenas. Em Portugal nunca há debates, citam-se amigos, há insistências palermas e alguma petulância, ideias sensaboronas e pessoas dissimuladas, além dos trocistas que têm sempre de parecer engraçados, mas soam um pouco a tolos. A crispação e a gritaria não se compreendem, numa sociedade que não tem verdadeiros problemas étnicos ou religiosos, numa sociedade onde não há divisões como as que existem em outros países europeus. Sim, é verdade, vivemos de forma razoavelmente feliz, tirando o envelhecimento precoce e a falta de ideias novas, tirando a convicção geral de que somos profundamente infelizes. Contradição, é o que somos.

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publicado às 11:04




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