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Viagem

por Luís Naves, em 03.09.15

Viagem difícil, apesar dos momentos divertidos e do inesperado da situação. Desembarcamos numa Hungria mergulhada no caos. Milhares de refugiados atravessam diariamente a fronteira sul e nos meios de comunicação portugueses só encontro críticas ferozes ao governo de Viktor Orbán, acusado de erguer um muro criminoso, de rejeitar migrantes, de mandar a sua polícia reprimir os desgraçados que não têm mais sítio para onde ir. Tenho imensas dúvidas: é evidentemente a criação de um clima e dá-me uma vontade brutal de ver com os meus olhos, de escrever por minha conta, mas sei bem a dificuldade de alguém tentar remar contra a corrente ou de mijar contra o vento. Este é um assunto em que tenho pensado, a natureza da realidade, a distância que vai entre a vivência e a percepção exterior. E o que temos aqui? Um país que tenta impor a lei e ordem enquanto é atravessado por multidões indomáveis que recusam a autoridade policial e que chegam a recusar a ajuda humanitário. Temos aqui um país que criou uma barreira física (uma vedação a todos chamam muro) para travar a entrada ilegal e descontrolada destas multidões. Dizem-me para nem pensar em usar o comboio. Obedeço. Estou em péssima forma, gastei uma pipa de massa que não tenho, tenho os intestinos feitos num oito; não terei onde escrever. A civilização é uma camada fina e basta um nada para a pôr à prova.

publicado às 18:00




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