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Velhice

por Luís Naves, em 20.02.18

Tornou-se de bom tom afirmar que os grandes romances são escritos aos 30 anos (veja-se a tendência nos prémios) ou que um líder partidário não pode ter mais de 40, embora não haja qualquer prova de que isso seja assim, pelo contrário, não faltam exemplos que desmentem tais preconceitos. O mesmo princípio aplica-se mais ou menos a tudo o que mexe, à moda, aos padrões de beleza, ao entretenimento, aos actores, à música, à opinião ou ao jornalismo: vivemos numa obsessão pela novidade e a carinha laroca, preferimos a espuma das coisas ou a leveza adolescente. Uma sociedade envelhecida despreza tudo aquilo que resulte da sua experiência e procura o que não tem, que é juventude, enquanto mergulha no caminho da senilidade e da paralisia institucional, incapaz de mudar. Estamos a destruir a memória e deixámos de nos preocupar com o futuro. Temos uma população onde haverá imensos velhos depauperados, incapazes de pagar os cuidados de que vão necessitar e cujas poupanças foram e serão destruídas nesta crise e na próxima. Nem quero pensar no fardo da próxima geração, mas o que já vemos é a indiferença em relação à violência sobre os idosos, em simultâneo com a indignação extrema em relação a coisas de nada, como é próprio de quem não deseja enfrentar o vazio que está ali à frente, mas viver somente no conforto ilusório do outono.

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publicado às 19:20




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