Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Um resumo

por Luís Naves, em 15.10.17

Em resumo, ocorreu um autêntico assalto ao Estado, com destruição de riqueza em escala colossal. Houve conluio entre certos banqueiros e políticos, visando a apropriação de milhares de milhões de euros, consumada à vista de uma classe dirigente que preferiu olhar para o lado. O dinheiro volatilizou-se e certamente haverá fortunas secretas, estacionadas em paraísos fiscais. Portugal foi esfolado vivo, a classe média pagou a factura, incinerada neste processo, as corporações reforçaram o seu domínio e a sociedade civil está de rastos. A grande crise foi, no essencial, uma imensa transferência de riqueza pública para as mãos de elites corruptas, além da destruição pura e simples de riqueza acumulada durante décadas. Tudo isto foi feito com a complacência e participação dos partidos, incluindo a acumulação de dívidas brutais, acordos ruinosos de parcerias público-privadas, contratos com regras tóxicas, bancos que enganaram clientes e empresas que pagaram luvas para obter privilégios em concursos. Não sei como é que no futuro se irá olhar para este período negro da nossa democracia, mas julgo que as futuras gerações se espantarão por o regime ter sobrevivido à escandalosa omissão das instituições e à extensão de todas as histórias mal contadas, que o tempo se encarregará de revelar no seu esplendor. O plano dos oligarcas era controlar a política, a comunicação social, a justiça, a máquina do Estado e o capitalismo de compadres. E esse plano de poder só falhou porque houve a bancarrota. Não há nada de parecido na nossa História, nem o caso Alves dos Reis, na agonia da I República.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 21:39




Links

Locais Familiares

Alguns blogues anteriores

Boas Leituras