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Três meses parado

por Luís Naves, em 03.03.15

As memórias da infância misturam-se com o que vivi mais tarde, numa mescla imprecisa e sem detalhe. Três meses parado. As ideias sem âncora flutuam no grande oceano dos pensamentos imprecisos, arrastadas por correntes invisíveis, como se fossem minúsculas embarcações onde se agitam marinheiros em perigo e onde, nas horas vagas, se contam lendas de paragens alheias. Os viajantes experientes tentam ler no imenso céu o vapor ténue das reminiscências de outrora, mas o meu mapa do tempo só contém rascunhos apenas esboçados, talvez também falsas impressões. Três meses parado e tudo se me escapa à velocidade das sombras, na frase demasiado premeditada, na recordação transviada e no sonho errante. Por vezes, em breves momentos de luz, surgem pequenas histórias que logo se ocultam, por isso não sei, tudo se esvai, as promessas deslizam no abismo, afastam-se, ficam imperfeitas e soam a falso.

publicado às 19:46




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