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Tempos difusos (2)

por Luís Naves, em 27.05.14

Quando eu era jovem, o mundo ocidental tinha espantosas taxas de crescimento económico. Houve crises, mas o sistema parecia capaz de um desenvolvimento sem entraves. A situação mudou: agora, os países estagnam e são dominados por abstracções financeiras que dão a sensação de nada produzir, pelo contrário, parece que se dedicam à destruição económica e à acumulação de riqueza nas mãos de uma oligarquia que gosta de manifestar a sua indiferença.

A civilização é insustentável do ponto de vista ambiental e de consumo de energia e, sem haver uma ruptura tecnológica, vai provavelmente bater num tecto e começar a sua irresistível queda. A complexidade financeira e a ganância podem dar-lhe o golpe fatal muito antes das mudanças climáticas o fazerem.

Os países perderam a autonomia e o futuro da política terá mais do mesmo, com a acção limitada dos eleitos. O poder tornou-se difuso e a mediocracia que resulta do triunfo da classe média entrou num beco sem saída.

As sociedades liberais não possuem recursos suficientes para satisfazer por igual todas as clientelas e grupos. De qualquer forma, não há soluções permanentes, pelo que uma evolução provável será o aparecimento de novas utopias que defendam o estreitamento do pensamento e a limitação das liberdades.

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publicado às 11:24




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