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Tema tabu

por Luís Naves, em 17.11.14

Embora seja uma situação comum na vida humana, com importância quase transcendente, pois dele depende a continuidade da espécie, o sexo é ainda visto como tabu na nossa sociedade. A tradição literária tem muita coisa sobre a perversidade sexual, mas usa geralmente a elipse para mencionar o sexo normal, que corresponde à experiência dos autores ou dos leitores. Vivemos na Era do Explícito, onde nada se esconde por muito tempo. E, apesar disso, as pessoas ainda se chocam quando uma mulher amamenta em público (como se a nossa condição de mamífero não fosse civilizada). Os medos contemporâneos estão bem analisados neste artigo da escritora Sara Sheridan, que encontrei na BBC e cuja leitura recomendo (em inglês). O texto ajuda a compreender a dificuldade da arte em abordar o tema tabu do sexo, fenómeno que se banaliza nesta nossa sociedade hiper-livre, para isso bastando lembrar o escândalo do filme Ninfomaníaca, de Lars Von Trier, ou a exibição de seios em público a que alude a autora. Na blogosfera, quando escrevi jocosamente sobre o fascínio masculino por mamas, o texto foi criticado por mulheres, que comentaram com irritação. Em literatura, o sexo é considerado inaceitável, pois incomoda os pudores do leitor e dos críticos. Os autores têm medo dele. No fundo, contra mim falo: nunca me atrevi a escrever uma cena explícita de sexo, temendo cair na armadilha mencionada (um texto abaixo) pelo escritor Murakami, ou seja, ser confundido com um cínico ou, pior, com um ingénuo.

publicado às 09:37




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