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Tapete rolante

por Luís Naves, em 25.11.14

Não consigo concentrar-me no essencial, o chão parece que me foge dos pés, como se vivesse sobre um tapete rolante e, por mais que me esforçasse, fosse impossível acompanhar um movimento que não controlo. E cresce no meu coração uma raiva contida, de ver tantos hipócritas, e que se sobrepõe por vezes à serenidade que devia ter vencido. Passo os dias a pensar, a evitar olhares de censura, a imaginar o que outros pensam de mim, sabendo que me criticam pelo que não fiz, que me avaliam pelo que não sou, que me condenam pelo que não mereço. A minha alma ferida perdeu toda a inocência das ilusões, agora sou eu sozinho, sem redenção e sem futuro. À minha frente, estende-se a vasta planície desértica por onde qualquer escolha de caminho será indiferente, tanto faz, e talvez seja esse o percurso necessário da sabedoria, tanto faz, pois o que me resta farei através das tempestades e do mau tempo, por entre as silvas de campos cheios de pedras secas e pelas longas veredas repletas de espinhos, ignorando sempre o que ficou no passado, com os pés bem leves sobre o tapete rolante que é este viver incerto e duvidoso.

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publicado às 13:35




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