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Talvez um padrão

por Luís Naves, em 11.01.15

Parece desenhar-se um padrão na literatura contemporânea, sobretudo em alguns países europeus da periferia, onde se impõe uma nova geração de escritores. A clareza no estilo e o gosto pela fantasia são dois aspectos marcantes, mas julgo haver um elemento comum: existe uma espécie de realismo brutal nas obras destes autores, mas sempre acompanhado pela dúvida, pois geralmente é questionada a natureza da própria realidade. Num relato onde flutuam farrapos de autobiografia podemos confiar na memória? A resposta é não. Este jogo com a verdade é visível em autores como Patrick Modiano, Elena Ferrante, Enrique Vila-Matas, Gonçalo M. Tavares, Orhan Pamuk, Karl Ove Knausgard ou ainda Laszlo Krasznahorkai. Encontramos em todos eles elementos de um catálogo que inclui o mosaico do passado, a visualização das cenas, obsessões particulares, a profunda ambiguidade das personagens e também a exposição da respectiva vulnerabilidade, a ponto da nudez total (em certos casos, o autor expõe-se sem contemplações, usando a própria identidade). Os temas são pessimistas, incluindo a exclusão e a intimidade, o fracasso, a violência e o mal, o sexo e o delírio. Os escritores contemporâneos gostam do género literário, sobretudo do policial, mas também da citação, e usam sem problemas todos os elementos dos movimentos anteriores, por vezes experimentalismo e fragmentação, por vezes colagem, por vezes a imaginação, por vezes impressões e sonho, por vezes a simplicidade mais enganadora, em muitos casos o humor. Existe igualmente uma reflexão sobre o passado, a perseguição de um enigma, muita preocupação com a História e menos atenção à sociedade. Os mistérios são profundamente individuais e as emoções contidas, como se o mundo das pessoas fosse incerto e frio.

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publicado às 12:35




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