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Singularidade

por Luís Naves, em 08.12.14

Alguns intelectuais mais à frente estão já a discutir as implicações legais da inteligência artificial. Por exemplo: um carro automático tem um acidente; de quem será a culpa? Por enquanto, estes problemas não parecem demasiado difíceis de resolver, mas é natural que a tecnologia traga no futuro grandes dúvidas existenciais. Será legítimo desligar uma máquina relativamente inteligente? E se essa inteligência tiver consciência própria? Dentro de alguns anos, poderemos ter ao nosso serviço escravos mecânicos, pensantes, a quem daremos as tarefas perigosas e cansativas: terão vidas curtas e sem esperança, talvez felizes por terem sido concebidos e de facto criados pela humanidade. Como é que nos iremos sentir quando os sacrificarmos? Em certo dia, haverá máquinas com imensa capacidade de processar dados e brilhantes habilidades mecânicas, mas com algo mais do que isso, porventura uma consciência que se traduza na necessidade de existir. Temos dez mil anos de ligação aos nossos animais de estimação, a quem nos afeiçoamos, e desenvolver um robô inteligente, num escasso período de não mais de um século, será uma tarefa imprevisível. Janos von Neumann foi o primeiro a usar o termo “singularidade”, nos anos 50, conceito entretanto popularizado por outros autores, como Ray Kurzweil, que fez uma famosa previsão, antecipando para 2045 essa situação de incógnita tecnológica, quando existirem computadores mais inteligentes do que os humanos. Já cá não estarei para ver, é pena, vou também passar ao lado do primeiro jogo que os campeões do mundo de futebol vão perder com uma equipa robótica, talvez em 2050. A minha singularidade já tem vários anos, quando deixei de ganhar ao xadrez contra programas de computador.

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publicado às 19:19




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