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Seremos outros ou nada

por Luís Naves, em 06.04.15

Neste jornal de parede são colocadas diariamente milhares de mensagens, lidas com a devida distracção por um público que não espera encontrar aqui nenhum sinal, pelo menos um sinal capaz de explicar minimamente o sentido da vida. E o jornal de parede vai mudando e o sentido não estará certamente nesta mensagem. Um dia, quando olhamos para trás, vemos que não fizemos nada de importante: alguns artigos sobre assuntos enterrados, dezanove mil dias inócuos e sobre os quais não resta qualquer lembrança, uns livros que ninguém leu. Esperamos demasiado do futuro e por isso, quando olhamos para trás, para o caminho feito, tudo nos parece vagamente inútil. Alguns rastos que deixamos no mundo podem ser reutilizados, como se faz ao lixo: se os nossos nomes persistem, pelo menos na sua vaga forma desligada da pessoa, então podem ser encontrados em listas telefónicas, nem que seja numa lápida de cemitério ou num obituário. E se alguém ler esses nomes informes, imaginará pessoas autênticas que passam assim a personagens de ficção. Seremos no máximo pessoas de fantasia, muito diferentes do que fomos, muito diferentes até das nossas memórias imaginadas. Seremos outros, ou mesmo nada.

publicado às 12:53




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