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Se o presente é uma boa indicação...

por Luís Naves, em 16.04.16

Se as desigualdades continuarem a aumentar, talvez no futuro haja castas, conforme a situação laboral de cada um. Os trabalhadores estatais terão privilégios e serão escolhidos de forma rigorosa, formando a elite social. Nos países menos desenvolvidos, esta escolha envolve ainda quotas partidárias e a participação dos interesses especiais que comandam a distribuição de recursos, mas em países avançados haverá crescente sofisticação no processo de selecção e alguma tendência para dinastias se instalarem nos lugares preponderantes. Os Estados já privatizaram quase todas as tarefas menores, haverá crescente mecanização, pelo que os funcionários serão o topo da escada social, com influência na regulação dos negócios e nas escolhas políticas. O Estado tenderá a crescer, a inventar novas funções imunes à invasão dos autómatos.

A segunda grande casta será dos especialistas com vínculo a empresas, que terão contratos flexíveis, embora bem pagos. Estes empregos serão crescentemente substituídos por máquinas inteligentes e os trabalhadores da casta intermédia arriscam-se a tombar para o patamar inferior, dos tarefeiros menos qualificados, que representam a maioria da população. Essas pessoas da terceira camada vão depender da sua simpatia a grau de adaptabilidade; deverão aproveitar cada nicho proporcionado pela dimensão crescente de todas as empresas importantes. Será um vasto mundo de sub-contratados, obrigados a sobreviver numa ecologia onde muitos braços estarão disponíveis para poucas vagas. A ideologia dominante dirá que um pouco de ambição talvez permita subir.

As castas inferiores, os intocáveis do sistema, terão escassas oportunidades de progresso, excepto se integrarem as funções repressivas ou militares, onde poderão ter alguma importância, mas cuja mecanização promete ser rápida. As castas inferiores serão formadas por desempregados, precários, inactivos e subsídio-dependentes. Estas pessoas terão no máximo empregos temporários pouco qualificados, deficiente educação e péssima saúde públicas, direitos políticos mitigados e pressão constante para arranjar dinheiro. O seu sonho será adquirir um robô barato ou os remédios milagrosos e caríssimos que permitirão estender a vida, dois fortes incentivos para o conformismo com que aceitarão restrições à sua liberdade. 

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publicado às 14:05




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