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Salambô

por Luís Naves, em 14.11.17

Pouco importa se a Salambô de Gustave Flaubert corresponde à verdade histórica (é improvável, já que tem na base fontes romanas). Por muita pesquisa ou leitura que o autor tenha feito, vê-se no livro um delírio de imaginação que nos faz visualizar o cenário do drama e toda a violência dos episódios narrados. O cinema já nos habituou a cenas macabras de violência extrema, mas os leitores da época devem ter ficado chocados com o grotesco radical de algumas cenas. Flaubert estava a pesquisar os limites da sua arte, tendo criado uma prosa exótica, com a grandiosidade dos clássicos e o mistério das civilizações extintas. Cartago é perversa e o autor certamente deve ter pensado no seu próprio tempo, hipócrita e decadente, mas ronda ali também a premonição da guerra total que em breve a Europa usaria para o seu suicídio (a derrota do exército mercenário no desfiladeiro antecipa em 40 anos as descrições do pesadelo das trincheiras).

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publicado às 21:53




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