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Romance de robô I

por Luís Naves, em 23.01.15

Quando existirem, as máquinas inteligentes acabarão por aprender a escrever romances, tal como os computadores aprenderam a jogar xadrez, mas não creio que façam boa literatura, pelo menos até aprenderem a escrever sobre elas próprias. Podem ser programadas para saber tudo sobre os problemas das pessoas, sobre a linguagem e a cultura, sobre a tradição literária, podem ser ensinadas a imitar determinado estilo de frase, a compor personagens a partir de bases de dados, a copiar artifícios de maneirismo, até a cometer erros e a disfarçar as suas limitações. Afinal, as personagens não são todas tiradas de uma espécie de base de dados a que chamamos experiência humana? Há até os tipos da commedia dell’arte (Columbina, Arlequim, Pulcinella, Dottore) que formam pequenos protótipos capazes de se transformarem em figuras complexas. No fundo, tudo isto é programável. Os enredos, esses, são sempre mais ou menos idênticos, variações de histórias mais simples e que envolvem geralmente sexo, violência e morte. Não deve ser impossível ensinar uma máquina a juntar dois ou três ingredientes num conjunto coerente. No genial 1984, de George Orwell, havia uma burocracia que, usando máquinas, produzia romances básicos para os proles. Há uma boa discussão aqui, mas esse é o lado racional do tema, falta o resto, a parte não programável, a parte humana. Voltarei ao assunto.

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publicado às 12:14




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