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Pedaços do mundo e grãos de areia

Muita gente viveu catorze anos de sacrifícios, perturbações e empobrecimento: primeiro, foi a grande recessão e a crise das dívidas soberanas; depois veio a pandemia, que as autoridades tornaram mais difícil de suportar; finalmente, os efeitos económicos da guerra da Ucrânia e da intervenção ocidental fracassada. Agora, estamos a entrar numa época de rutura tecnológica, que promete ter um profundo impacto social, com milhões de empregos em risco. Podíamos dizer que o poder político acompanhou todas estas transformações, mas não foi o caso. A ordem dita liberal, que nunca foi liberal, não cedeu um único milímetro, pelo contrário, tornou-se ainda mais favorável às velhas elites e procurou sufocar os descontentamentos. As desigualdades aumentaram e, em toda a Europa, os governos são minoritários, impopulares e controlados por interesses antigos, que se agarram ao poder. O jornalismo e as artes são medíocres e refletem esta estagnação, instalou-se o descrédito dos peritos, as instituições vão apodrecendo e a opinião pública desliza para o cinismo. Vem aí uma revolução silenciosa. Não será como as outras da História, com barricadas, mas vai derrubar muitos muros que se ergueram nestes catorze anos.
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