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Resumo

por Luís Naves, em 21.01.16

Nas gerações anteriores, as pessoas cultas tinham gosto pelos diários e havia muita gente que ia anotando em pequenos cadernos os principais episódios da vida, registando o que se percebia ser a grande agitação do seu tempo. Os diários reaparecem agora sob outras formas, que as redes sociais permitem, mas não existe a mesma preocupação de registo, sendo preferida a exposição individual, respondendo à necessidade de ser notado e à nossa obsessão pela imagem. Daí que alguns afirmem que a arte é hoje a reflexão do artista sobre si próprio.

Nas gerações anteriores, as pessoas informadas tinham a noção de que viviam num período histórico invulgarmente volátil. Agora, isto não acontece assim. Quem escreve, tem dificuldade em compreender a sua época e descobre, com certa ansiedade, que o resumo da vida tem menos peripécias e grandes eventos históricos. E, no entanto, olhando para trás, o homem contemporâneo assistiu a muitos acontecimentos, mas pareciam todos relativamente banais, pois vinham misturados num excesso de informação. Eu, por exemplo, vivi ainda o final da Guerra Fria, o colapso do sistema socialista e o aparente triunfo das democracias liberais, que terá durado duas décadas; assisti ao início da grande estagnação, que talvez dure também duas décadas, o dobro do tempo que já leva. Mas não houve verdadeiras calamidades e a época da minha vida foi sobretudo um período de inovação, riqueza, abundância e progresso, com o mundo controlado por guerras imperiais curtas e muita diplomacia. Tudo mudou lentamente, sem guerras mundiais, grande depressão ou conflito ideológico.

É nítido que vem aí qualquer coisa sem transição suave e talvez os diários mudem de novo, no sentido de se transformarem em testemunhos de grandes transformações épicas.

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publicado às 11:47




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