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Raízes do populismo

por Luís Naves, em 04.02.16

Uma parte cada vez maior da opinião publica europeia rejeita a política tradicional, os arranjinhos do costume, as decisões dos burocratas, os pequenos comités das elites instaladas. Podemos chamar populismo ao aproveitamento deste mal-estar: no fundo, trata-se de aproximar o discurso político dos problemas que interessam às pessoas. A comunicação social abdicou desta função e vai perdendo a confiança dos seus leitores. Claro que devemos perguntar o que provocará a rebelião anti-elitista na Europa ou na América, mas devemos também perguntar de onde vem o descontentamento que alimenta a contestação ao sistema. A resposta é complexa, mas o descontentamento é natural para quem encontra trabalho mais mal pago do que aquele que existia antes; é natural para quem viu os grandes génios da gestão a estoirarem empresas sólidas, ao mesmo tempo que ganhavam milhões em bónus por despedimentos em massa; é natural para quem empobreceu e não se adaptou às novas tecnologias, para quem perdeu empregos que foram para a China, para quem perdeu a casa e para quem vive hoje em bairros marcados pelos choques culturais da imigração excessiva. O descontentamento é natural quando o eleitorado percebe que os políticos têm cada vez menos margem de manobra e espaço para agir. Muitos europeus e americanos sentem uma ansiedade profunda em relação ao seu futuro económico, por causa do aumento das desigualdades, mas não apenas por isso, por ouvirem da parte dos políticos sempre as mesmas banalidades, por ouvirem dos intelectuais as análises do costume, que culpam os eleitores pelas escolhas “erradas”.

publicado às 12:24




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