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Praxes e manadas

por Luís Naves, em 18.09.15

Perto de minha casa, assisto todos os dias ao triste espectáculo das praxes académicas, tradição que a Universidade de Lisboa nunca teve e que importou de Coimbra, por motivos que me escapam. Ou talvez se dê o caso da mediocridade do país ser mais profunda, como se houvesse um peso antigo que nos arrasta para o fundo, sempre que procuramos vir respirar à superfície. As escolas deviam preparar elites capazes de pensar pela sua própria cabeça, mas parecem estar a formar manadas de herbívoros. Por esta altura, o cenário é degradante: recrutas em pequenas unidades, enquadrados por oficiais vestidos de padres, passeiam pelos pastos da Alameda e do Arco do Cego, a gritar em uníssono frases tontas e palavras sem significado. Os oficiais parecem corvos e reconhecemos, a certa distância, os pequenos nazis com os seus modos prepotentes. As praxes são apresentadas como tradição, mas não passam de práticas adoptadas e uma prova da estupidez das nossas elites. Os seus defensores dizem que é relevante para a socialização dos meninos e para a respectiva integração no complexo mundo da escola, mas o argumento parece-me impróprio de adultos. A humilhação pública e notória de caloiros universitários só pode criar mentes dóceis e submissas.

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publicado às 09:52




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