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Populismo de direita

por Luís Naves, em 07.08.15

Em certos aspectos, a política americana é a imagem ao espelho da europeia, com semelhanças e imagens exactamente invertidas. De súbito, na corrida à nomeação nas primárias republicanas surge um candidato improvável, Donald Trump, que num partido europeu teria hipóteses nulas de concorrer a cargos públicos. O homem tem dinheiro e, caso seja rejeitado pelo partido, promete candidatar-se como independente, o que costuma ser uma péssima notícia para quem assim se divide.

O programa de Trump consiste numa mistura de populismo, alucinação e espectáculo que parece estar a entrar bem em certo eleitorado americano, descontente com não-se-sabe-bem-o-quê e capaz de concordar com um capitalista milionário que critica o mercado livre. O aparecimento desta figura é suficiente para alterar o que dizem os outros candidatos, para marcar agendas políticas inoportunas, para picar os instalados e apimentar os debates na televisão. No dia da votação, facilitará o triunfo do adversário democrata, provavelmente Hillary Clinton, mas causando profundos estragos à direita americana. É curioso verificar como nos EUA a insurreição do descontentamento alimenta o populismo de direita, ao contrário do que sucede na Europa, onde a insatisfação com a política se manifesta em votos à esquerda. Trump representa um fenómeno curioso de devaneio, mas é também um namoro com o declínio, pois um dia a América vai mesmo eleger para a Casa Branca algum imenso ego sem uma única ideia no penteado.

publicado às 12:53


3 comentários

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De Manuela Grilo a 09.08.2015 às 07:46

Na minha opinião este Trump , é outro Tiririca lá das Américas. Mas tal como aqui na Europa, como pertence ao norte, é o palhaço rico.

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