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Outra visão da Europa

por Luís Naves, em 04.04.15

Em muitos comentários correntes, a Europa é apresentada como zona em declínio terminal, perto do colapso mais patético e minada por um descontentamento sem remédio. Apesar de haver autores sagazes que a repetem, a tese tem na realidade escassez de factos na argumentação. A Europa criou (com dificuldades) o maior bloco mundial de democracias e o maior mercado único com moeda própria. Os Estados europeus possuem instituições sólidas e as suas sociedades são relativamente igualitárias, baseadas na lei e com sistemas sociais sofisticados, que protegem os mais fracos e as minorias. Um europeu actual será provavelmente da classe média, com acesso a saúde e educação quase gratuitas, capaz de escolher dirigentes políticos em vários patamares, cada um deles com origem em ideologias e partidos diversificados. As cidades europeias são geralmente cultas e agradáveis. Na Europa há empresas globais, capital e poder económico, sistemas políticos estáveis e capazes de se reformar, influência nas artes e no conhecimento. Sobretudo, os europeus têm vidas longas, seguras e livres. E, no entanto, sendo tudo isto visível, instalou-se uma retórica nacionalista que vê decadência em tudo e que, no fundo, pretende com essas críticas acabar com as raízes do sucesso.

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publicado às 19:48




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