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Os liberais

por Luís Naves, em 10.03.16

Se a esquerda parece surda à realidade, a direita não é pior a desviar o assunto. Alguns consideram que a solução seria um partido liberal, recusando a social-democracia, embora isso contrarie todas as recentes eleições, onde o tema nunca foi referido. É uma ideia ao lado. Na Europa não há nenhum país que dispense a social-democracia, nem sequer a Grécia, onde o Syriza ensaiou uma tentativa de governo da esquerda radical. Os padrões são claros: a social-democracia europeia é uma questão de dose e as privatizações dos serviços públicos são limitadas, mesmo em Inglaterra; nenhum político será eleito a dizer que vai acabar com pensões públicas, rendimento mínimo, serviço nacional de saúde, assistência aos pobres. Ninguém deseja isso. Nenhum partido ganhará eleições a dizer que pretende um Estado fraco e o fim da banca nacional ou dos campeões da economia. Há diferentes modelos de Estado social na Europa, mas todos têm órgãos públicos de comunicação, educação gratuita, hospitais estatais, blindagem do sistema de pensões. Há também limitações à liberdade aceites por toda a gente, por exemplo, na compra e porte de armas ou nas leis do trabalho. Os europeus não querem mais liberalismo económico, aliás atribuem a crise aos excessos do liberalismo; os europeus querem mais segurança no trabalho e ruas tranquilas, querem prosperidade sem excesso de desigualdade, querem ter comunidades fortes com boas oportunidades para todos. E é assim que votam em todo o lado.

publicado às 18:49




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