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Dias esponjosos

por Luís Naves, em 11.07.18

Os dias esponjosos da longa primavera húmida deram lugar a um calor ventoso, de calma aparente, mas com algo de intranquilo no seu interior. As pessoas andam nervosas, sem saberem bem o que as espera. Há pequenos sinais pelo ar, de gente com pavio curto ou com pressa em excesso, gente sem tempo para escutar o que as envolve. O país está insuflado de almas impacientes e sem esperança, que se arrastam, num cansaço deprimido, à espera de uma pausa para respirar. Certa revista trazia na capa a vedeta a confessar o seu desespero; é do que mais vende, a exposição da tristeza alheia. Ao lado, as capas dos jornais festejavam o salvamento de uma equipa de futebol juvenil numa caverna da Tailândia e a transferência milionária do símbolo futebolístico da nação; é também do que mais vende, a boa notícia sobre a felicidade dos outros. Sim, estes são tempos de cinza, dos quais não ficará quase nada, excepto aquilo que mais vende, que é também o que possa reunir as qualidades do artifício, do exagero, do agressivo e do perverso, de preferência disfarçadas de contestação superficial à ordem burguesa (ou será desordem?).

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publicado às 10:28




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