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O que mudou

por Luís Naves, em 11.09.18

Os acontecimentos do dia 11 de Setembro de 2001 ficaram na memória de todos, mas o que verdadeiramente mudou as nossas vidas foi a crise financeira que começou em Setembro de 2008, com o colapso do banco americano Lehman Brothers. A partir daí, vivemos uma época da fragmentação, caracterizada pela estagnação económica (a década perdida), a aparente dissolução dos valores, a mediocridade da política, a crispação do discurso da intolerância, o estilhaçar das classes sociais, o antagonismo sem ideologia e a irrelevância das vozes moderadas. Nestes últimos dez anos, tivemos a sensação de viver numa espécie de época pantanosa, em que se acentuou a ideia do próprio declínio da cultura, como se não houvesse rumo e futuro. A grande recessão teve causas complexas e nunca li uma explicação convincente. Aliás, os académicos ainda hoje discutem as causas da Grande Depressão dos anos 30 do século passado e talvez seja preciso esperar um século para que se compreenda o fenómeno que nos atingiu. Ora, se ainda hoje não entendemos inteiramente o que aconteceu, quem nos garante que já terminou o ciclo? Podemos conceber novos espasmos do processo, em que se acentuam divisões sociais e cresce o fosso entre vencedores e vencidos, em que ocorrem novos episódios de segmentação, em que voam estilhaços das classes sociais e saltam pedaços de tribos e de clãs, acentuando choques e contradições da época. Depois da fragmentação, haverá outra tendência, talvez até a contrária, mas uma coisa é certa: o mundo que estamos a construir será muito diferente daquele de onde saímos.

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publicado às 19:09




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