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O que faz despertar as ideias

por Luís Naves, em 05.02.15

Há períodos em que a economia e a cultura se arrastam num pântano de falta de ideias. Surgem também momentos em que as rotinas são substituídas por vagas de inovação. As viragens dão-se em alturas como a actual, de mudança súbita e por vezes traumática. Entre os anos 60 e 80 ocorreu um desses momentos de vitalidade; as sociedades avançadas transformaram-se de forma radical, na política, na economia, nas artes; depois, houve duas décadas estéreis e chatas, onde nada de especial aconteceu. Entretanto, a Grande Recessão atingiu a vida de muita gente e provocou profundas alterações na forma como as sociedades capitalistas funcionam. Após duas décadas marcadas pela estagnação, entre 1990 e 2010, começa agora uma época de maior vitalidade. Há sinais disto, sobretudo na rapidez com que surgem novas tecnologias. O tsunami digital vai entrando terra dentro e muda invenções sucessivamente mais recentes, a fotografia, o telefone, a seguir será a televisão. A política também se altera: a longa hibernação das democracias chega talvez ao fim e a opinião pública será menos paciente com políticos normais ou apenas banais, que fazem as suas carreiras no conforto de partidos previsíveis. A arte, por sua vez, estupidificou-se nos anos 90, com o triunfo do fogo-fátuo e das modas passageiras. O que vemos agora é o aparecimento de uma reacção que rejeita a futilidade espectacular e o vazio, levantando de novo as maiores questões existenciais e da sociedade. Posso estar enganado, mas política, cultura, ciência e economia avançam de mãos dadas em ciclos que aceleram e travam por razões misteriosas. O que faz despertar as ideias? Ninguém sabe ao certo, mas a onda funciona se houver massa crítica e um detonador.

publicado às 19:57




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