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O que está sobre a mesa

por Luís Naves, em 26.06.15

Nos últimos dias, temos assistido a um elaborado jogo de sombras que visou eliminar os obstáculos ao acordo entre a Grécia e os credores: os deputados radicais do Syriza recusavam reformas sem as quais a economia grega continuará a ser indefinidamente subsidiada pelos europeus; e o eleitorado dos países credores, que recusa dar mais dinheiro, teve de ser submetido a uma barragem sobre os terrores da eventual saída da Grécia da zona euro. Se o governo Tsipras fizer o colossal aumento de impostos, o drama passará para a fase seguinte, que inclui a negociação do terceiro resgate, com novo pacote de reformas e perdão de dívida.

Para os europeus, está em jogo uma pequena economia que corresponde a 2% da zona euro; para os gregos, trata-se de evitar a calamidade que representaria o abandono da moeda única (inflação, taxas de juro incomportáveis, isolamento, falências e protestos). Em caso de Grexit, a desvalorização da nova moeda permitiria acelerar o crescimento, mas a Grécia teria de fazer as mesmas reformas estruturais impopulares. Os europeus ganhavam um Tratado Orçamental mais sólido, pois nenhum dos países da zona euro se atreveria no futuro a desequilibrar as contas. Como os Tratados não prevêem esta situação, era necessário criar uma solução legal, por exemplo, suspensão temporária enquanto ocorressem os incumprimentos, mas a recuperação grega era mais rápida e a zona euro fortalecia-se. Apesar de tudo, o plano implicava elevado custo e alguma incerteza sobre um possível efeito dominó.

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publicado às 13:56




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