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O novo Pinóquio

por João Villalobos, em 10.04.14

 

A crónica de Fernando Sobral'Pulo do Gato', no Jornal de Negócios, a qual reproduzo aqui ipsis verbis porque, a bem dizer, nada tenho a acrescentar (excepto o post scriptum no final):

 

Verdade ou consequência?

 

"Hélder Reis, secretário de Estado do Orçamento, num momento de criatividade digna de Walt Disney, virou-se para quem o estava a escutar e disse: “Eu sou como o Pinóquio: quando minto, o meu nariz cresce. Não está a ver o meu nariz a crescer – eu não estou a mentir”. Não se sabe se Pinóquio ficou comovido com tão bondosa comparação, até porque ele foi esculpido a partir de um tronco de madeira. Mas temos a certeza que o secretário de Estado não estava a falar num café com os amigos. Nem a fazer um discurso aos fãs. Nem a concorrer à fase final de uma “stand-up comedy”. Estava no Parlamento, na comissão de Orçamento e Finanças, a falar com deputados eleitos pelo povo e que conseguem perceber o que diz. Ou seja, não estava no meio de uma chacota ou num concurso de piadas. O secretário de Estado pode-se comparar com Pinóquio, com o Franjinhas, com o Urtigão ou com o Peninha. É um direito que se lhe assiste. Mas, nesse momento para lamentar, estava a falar sobre um assunto sério: o destino dos dinheiros da ADSE. Não estava a jogar o Verdade ou Consequência. Não estava à espera, depois de se ter colocado como sósia de Pinóquio, segundo o elogio próprio que partilhou com os deputados, que chegasse um Grilo Falante para o acalmar. E deveria ter vindo. Se a política fosse uma coisa séria neste país, Hélder Reis teria saído do Parlamento como secretário de Estado do Orçamento e entrado no carro ministerial como ex-secretário de Estado do Orçamento. Mas como cortar salários ou criar impostos é um divertimento neste país, ele continua em funções como se nada se tivesse passado. A questão não é o secretário de Estado estar a dizer mentiras ou verdades. É a forma como fala com aqueles que são os representantes da democracia".

 

P.S. Comunicacionalmente, com este pseudo sound bite, o secretário de Estado conseguiu trazer para o lado do Governo uma associação antiga; Sócrates-Pinócrates, contribuindo assim para a destruição (e a construção de outra em sinal simétrico) de uma percepção até aqui instalada. Mas esse será tema para outro post e conversa. 

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publicado às 17:32
editado por Luís Naves a 17/6/15 às 18:25


1 comentário

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De cristof a 12.04.2014 às 19:52

assistir a umas sessoes do parlamento ingles cura todas as urticarias e complexos de provincianismo.

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