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O mito do empobrecimento

por Luís Naves, em 14.06.15

Os últimos 45 anos foram de profunda mudança em Portugal: o PIB per capita passou de 6200 euros em 1970 para mais de 16000 no ano passado (a comparação é calculada a preços de 2011), quase triplicando a riqueza média dos portugueses; o sistema de pensões abarca 40% da população, proporção dez vezes superior à de 1970, quando a rede social abarcava cerca de 400 mil pessoas; o analfabetismo, que atingia 31% das mulheres em 1970, praticamente desapareceu; em média, os portugueses de hoje vivem mais 13 anos do que a média da população de 1970. E, no entanto, só se ouve falar no ‘aumento da pobreza‘ e no ‘recuo económico e social’, como se Portugal fosse hoje muito mais pobre, inculto e atrasado. De facto, empobrecemos nos últimos cinco anos, mas a tendência de médio prazo é claramente outra. A esquerda habituou-se de tal forma a este discurso miserabilista, que banaliza o que foi conseguido pelo regime democrático. A direita comete um erro semelhante: repete o mito do empobrecimento, explicando o fenómeno com a pretensa insustentabilidade do Estado Providência, o que a leva a defender políticas impopulares de redução dos gastos sociais. 

publicado às 12:07


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