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O homem transparente

por Luís Naves, em 07.04.15

Por instantes, tive a sensação estranha de que o homem se virava para mim e dizia: “Não encontro o seu nome”. Voltaria a dizer que me chamo Luís Naves, ele teclava a informação, olhava para o ecrã com ar perplexo, acabando por confessar: “Não consta do registo”. O meu nome apagado da história, a bizarra sensação de estar a desaparecer, como acontece a Rod Taylor num episódio de Twilight Zone. Se ninguém se lembrasse de mim e não houvesse nenhuma prova da minha existência, seria um fantasma e os outros teriam pena da minha situação:

“Mas o senhor não existe, desapareceu dos registos, não temos aqui o nome, não há qualquer rasto da sua passagem pelo mundo”.

“Garanto-lhe que estou aqui, existo sem margem para dúvida, sou concreto e feito de matéria, tenho pensamento próprio e posso decidir o meu destino”.

“Parece de facto absurdo, mas não consta da base de dados”.

“Veja lá melhor, por favor, talvez eu tenha sido apagado por um erro informático”.

“Ah, isso, meu caro senhor, é altamente improvável, os erros informáticos não acontecem à toa, precisam de alguém que os provoque”.

Depois, lamentando a minha aflição, o funcionário iria olhar-me com piedade, sem me poder ajudar, claro; um caso bizarro, assim desaparecido dos registos. Deixara de ser alguém, não existia, em breve seria transparente.

Foi então que, para meu alívio, o homem sorriu e disse:

“Aqui tem o documento”.

E acordei da divagação.

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publicado às 16:05




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