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O esgotamento do "neoliberalismo"

por Luís Naves, em 01.10.15

Há evidentes sinais de esgotamento do que se convencionou chamar ‘neo-liberalismo’, um conjunto de políticas dos anos 80, agora no fim do seu período de vida de três décadas. O modelo caracteriza-se por elevado desemprego estrutural nas sociedades industrializadas, crescentes desigualdades, redução das funções do Estado, crescimento instável com estoiros ocasionais, globalização e liberdade de comércio, Estados falhados no exterior do sistema, mercados financeiros livres de regulação. Os teóricos do sector consideram que o futuro terá mais do mesmo, mas uma sucessão de escândalos sugere que estamos perante uma mudança radical no sentido oposto.

Veja-se a Volkswagen, que tem entre os seus accionistas um estado federal alemão, e que enganou durante anos os reguladores e os próprios clientes, vendendo gato por lebre. Os lucros obtidos com a manipulação das emissões dos motores a diesel serão bem inferiores aos prejuízos do escândalo. Esta enorme estupidez vai lançar trabalhadores para o desemprego, vai prejudicar países inteiros e pode até destruir poupanças e implicar custos para os contribuintes muito superiores aos custos que a Alemanha não quis pagar para solucionar a crise das dívidas soberanas.

A ganância não tem explicação. O que sucedeu na banca e agora na indústria automóvel levará os Estados a reforçar a sua complexidade. A opinião pública exigirá que a regulação aumente e que aumentem também os poderes de qualquer accionista público. Os ‘campeões nacionais’ serão protegidos e vigiados. As democracias não podem sobreviver a crises prolongadas, mudanças demasiado abruptas ou a injustiças demasiado óbvias. As desigualdades económicas acabam por se traduzir em desigualdades no acesso aos bens públicos, à educação, à saúde, à justiça. As reconstruções sociais que aceitam desperdiçar fatias da população (desemprego elevado ou legiões de sem-abrigo) são hipócritas e levam ao descontentamento. As crises sem fim à vista conduzem ao triunfo de forças populistas que prometem o outro lado da Lua, portanto, conduzem a menos democracia.

publicado às 11:45




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