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O empate em Inglaterra

por Luís Naves, em 29.04.15

As eleições no Reino Unido lembram a paisagem potencial das legislativas portuguesas. Nas votações dos últimos 20 anos em Inglaterra, conservadores e trabalhistas atraíram sempre mais de 85% do eleitorado. O sistema favorece o voto útil e a grande excepção ocorreu em 2010, quando o ‘arco da governação' conseguiu apenas 65% do voto. Nesse ano, os liberais-democratas obtiveram 23% e entraram no governo (ou seja, o arco da governação passou de dois para três partidos, somando afinal mais de 88% do voto).

Este ano, a poucos dias da votação, a situação é muito diferente: os lib-dem estão abaixo dos 10%, ficarão provavelmente fora de qualquer entendimento de poder, mas as sondagens indicam que os dois partidos tradicionais, somados, podem não atingir 70%. Em Portugal, verifica-se um fenómeno semelhante de instabilidade do poder, nomeadamente do trio de partidos que tem dominado os governos. De 85% do voto em 1999, o grupo constituído por PS, PSD e CDS subiu para 87% em 2002, mas depois o somatório começou a cair. Em 2011, estes três partidos somaram apenas 74,5%.

Nas próximas eleições, o declínio deverá continuar, sobretudo se o PS não atrair o descontentamento e se os novos partidos fizerem boas campanhas. Com as sondagens a sugerir que as duas formações do chamado ‘arco da governação’ vão ficar muito próximas, o avanço de apenas um ponto percentual num partido populista pode representar queda equivalente nos socialistas, que estão pressionados ao centro e à sua esquerda, tal como acontece em Inglaterra, onde os trabalhistas não conseguem descolar, por causa dos lib-dem e dos nacionalistas escoceses. Em resumo, ao tornar-se difuso, o descontentamento impõe o empate.

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publicado às 19:14




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