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O desafio à ordem instituída na Europa (2)

por Luís Naves, em 23.10.15

A Polónia vota no domingo e os conservadores do Partido da Lei e Justiça (PiS) deverão vencer com folga, embora sem maioria absoluta. É possível que os conservadores façam uma coligação com pequenos partidos populistas ou centristas, mas alguns políticos à esquerda falam na possibilidade de ser criada uma maioria negativa semelhante à que se desenha em Portugal, ou seja, o vencedor das eleições seria afastado do poder através de uma super-coligação pós-eleitoral de partidos muito diferentes entre si.

Julgo que acabará por não acontecer, mas fala-se. A “esquerda”, ou aquilo que aqui interpretamos como esquerda (SLD, pós-comunistas) arrisca-se a nem entrar no parlamento; de qualquer forma, terá um resultado inferior a 10%; os centristas da Plataforma Cívica (PO, liberais e europeístas, no poder) devem perder as eleições e a sequência dos acontecimentos dependerá da diferença que existir entre os dois maiores partidos. Uma diferença grande facilita uma coligação liderada pelos conservadores; a diferença pequena pode levar a certa instabilidade.

Tudo indica, pois, que a Polónia vai ter um novo poder semelhante ao húngaro, com “má imprensa” no exterior, desconfiado em relação à Europa, mas neste caso bastante mais hostil em relação à Alemanha. A “democracia liberal” perde para a “democracia social-conservadora, nacionalista e ultra-católica”. Tentando ver aqui algum padrão, acentua-se o fosso crescente entre as “democracias liberais” da UE ocidental e as “democracias iliberais” da UE de leste, que os meios de comunicação dos países ricos gostam de descrever como ainda selvagens e trauliteiras, em oposição à ordeira Europa intergovernamental da “liberal merkolândia”.

O que conduz à minha explicação para este problema do desafio à ordem instituída: quando os eleitores dos pequenos países não são ouvidos, há tendência para surgirem partidos de protesto com algum êxito; quando uma parte do eleitorado é excluída (os vossos votos não interessam), existe tendência para aparecerem partidos populistas; quando as elites ignoram as ansiedades sociais, reforça-se o nacionalismo.

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publicado às 12:42




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