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O desafio à ordem instituída na Europa (1)

por Luís Naves, em 22.10.15

Qual a razão de usarmos tantas vezes a expressão “democracia liberal” quando falamos das democracias europeias? O modelo europeu é essencialmente social-democrata, com muita participação conservadora. O modelo europeu é liberal no sentido de universalizar as liberdades de mercado, de pensamento, de religião, os direitos cívicos, mas nada disto é posto em causa pelos partidos “iliberais”. Enfim, nenhum dos partidos eurocépticos que surgiram em tantos países europeus pretende acabar com a democracia no seu país, com o voto livre no seu país, nem sequer com a liberdade religiosa das sua minorias (desde que não se reze na rua).

Os partidos iliberais da direita (enfim, os que têm algum sucesso) desejam restringir a imigração; os da esquerda pretendem taxar os ricos e a banca, controlar os mercados; por vezes, os da direita também querem refrear o sistema capitalista, mas não consigo citar algum partido europeu de peso que defenda o fim da democracia representativa, o encerramento dos parlamentos ou o fim da liberdade de expressão.

A analogia com as crises democráticas dos anos 30 é difícil de sustentar. O nosso tempo parece bem diferente e o desafio à ordem tradicional nas democracias parlamentares europeias deve ter outra explicação. Nos anos 30, as frágeis democracias criadas no final da Primeira Guerra Mundial foram lentamente sufocadas por partidos anti-parlamentaristas que defendiam regimes ditatoriais e que o diziam em campanhas eleitorais. Tirando franjas lunáticas, julgo que isto hoje não existe.

 

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publicado às 12:35




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