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O carácter da Pátria

por Luís Naves, em 12.08.15

Os maiores escritores nacionais têm sublinhado, através do tempo, duas características muito próprias da sociedade portuguesa: a subserviência e a hipocrisia. O espaço público de hoje é um palco evidente deste carácter da Pátria, muito propício ao triunfo dos videirinhos e ao domínio dos lambe-botas, por mais incompetentes que se revelem. Na época de Verão, aqueles que passam o tempo a lamentar-se suspendem a gritaria e vão para merecidas férias burguesas, enquanto os comentadores independentes fazem uma breve pausa na feroz defesa das suas certezas. Os espoliados de bancos nunca se zangam com o banqueiro que os enganou e os eleitores ponderam escolher entre ilusões e mentiras. Embora defendam os interesses instalados, todos os partidos falam pelo povo, pelos desempregados e por todos os outros pelos quais se estão nas tintas. A imprensa segue o sensato preceito de não deixar um simples facto estragar uma boa história. Entretanto, os padres, beatas, abades e freiras tagarelas que dominavam a sociedade do tempo de Eça e de Camilo (e já não existem da mesma forma) instalaram-se com outras roupagens nas redes sociais a criticar o fim do mundo, a impertinência dos indigentes e a degradação dos costumes. Pensar pela própria cabeça? Eis o maior absurdo, isso é estragar a carreira.

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publicado às 10:55




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