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O amanhã pode não ter aurora

por Luís Naves, em 07.12.14

Em vários textos, no El Pais, é discutido o impacto da sociedade de informação na percepção de segurança dos cidadãos. Nunca vivemos em sociedades tão seguras e repletas de promessas, mas somos bombardeados diariamente com histórias que parecem mostrar o mundo a estilhaçar-se. As redes sociais amplificam o terror contemporâneo e as pessoas vêem em seu redor sobretudo o que querem ver, o que parece ser uma fantasia distópica, onde se concentram todos as sombras e medos. A discussão faz sentido, pois os espanhóis estão numa fase de indignação, como mostram as novas sondagens no mesmo jornal, que apontam para a rejeição dos partidos tradicionais e a ascensão de populistas que jogam com estes receios difusos.

A violência que nos rodeia parece extrema, mas na realidade vivemos vidas seguras, com pouco crime a atingir cada pessoa. Aliás, nunca se viveu com tanta segurança. Como diz um dos autores citados, Ian Morris, sacar de uma arma num bar tem sérias consequências. Em comparação com o passado, as pessoas de hoje nunca estiveram tão bem alimentadas, o grau de instrução da maioria é inédito e o indivíduo mais banal tem direito à justiça. As sociedades avançadas são democráticas e os cidadãos gozam de amplas liberdades. A saúde e a longevidade não têm paralelo com o que acontecia nas gerações anteriores e, no entanto, um pequeno surto de doença pode provocar um pânico. À luz de tantos indícios contrários, o pessimismo contemporâneo é quase incompreensível. Os nossos antepassados tinham vidas curtas, perigosas e sem grande esperança. Nós, pelo contrário, vivemos numa época em que as maiores incertezas são sobre a próxima ruptura tecnológica. E, no entanto, muitos julgam que o amanhã pode não ter aurora, torna-se até difícil defender o contrário, pois isso é considerado optimismo, sinónimo de imbecilidade e loucura.

publicado às 19:21




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