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O acaso favorece sempre os senhores do Castelo

por Luís Naves, em 29.01.15

Num romance de Franz Kafka, uma das personagens explica que “o acaso favorece sempre os senhores do Castelo”. Esta frase aplica-se ao Portugal contemporâneo. O País está a enlouquecer e o circo político-jornalístico mostra sinais de hipocrisia galopante, além do tradicional desfasamento em relação à realidade.

Ontem, a EPAL cortou-me a água, apesar de ter pago todas as facturas que me foram cobradas. Acontece que esta extraordinária empresa veio a minha casa verificar o contador e eu não estava. Por isso, durante meses paguei acima da média do consumo. Paguei religiosamente (repito) mais do que consumi. E mesmo assim fecharam-me a água. Teve de vir um fiscal abrir e verificar o tal contador.

As nossas vidas dependem de burocratas que tomam decisões sem qualquer preocupação com a sociedade que os sustenta, apoiados por leis que políticos sonâmbulos aprovaram melancolicamente lá no pedestal onde habitam. De manhã, tivera outro encontro bizarro com a alucinação que tomou conta dos nossos destinos. O chip do passe não funciona e compro bilhetes de metro, daqueles que se carregam com cinco euros. É uma maneira dispendiosa de viajar, diga-se de passagem. Ao entrar numa estação, verifiquei que o meu bilhete só tinha 60 cêntimos. Não chegava e decidi comprar mais cinco euros em viagens. Foi em vão, pois uma máquina automática estava avariada e não permitia o uso de notas e a outra, onde funcionava a ranhura das notas, não fazia a leitura do bilhete; a estação tinha apenas duas máquinas e, apesar de estarem ambas avariadas, não havia funcionário. São os cortes, dirão alguns, mas não são, pois andava por ali um segurança externo a ensinar os utentes a mexer nas máquinas (ambas avariadas), mas não tinha qualquer autonomia para me vender bilhetes.

Não podia viajar no metro, embora estivesse disposto a pagar, e não podia beber água, apesar de ter pago o que me cobraram. Entretanto, lá no Castelo, favorecidos pelo acaso, os senhores (deputados, gestores, autarcas) continuavam a criar comissões apropriadas para estudar o País, todos muito preocupados com o colapso da Grécia.

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publicado às 18:34




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