Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Notas eleitorais: a hecatombe

por Luís Naves, em 26.05.14

Analisando o resultado destas eleições europeias do ponto de vista de alguns países, a única leitura possível é a de ocorreu uma hecatombe. E, no entanto, o Parlamento Europeu pouco mudará. A Europa é um paradoxo.

Em Lisboa, Atenas e Dublin houve evidentes sismos políticos; Londres e Madrid foram vítimas de abalos relativamente importantes, mas nos restantes países estas eleições representaram apenas pequenos protestos sem efeito. Não foi certamente o caso da França, onde o resultado colocou em causa o sistema eleitoral, que não tem proporcionalidade, o que não acontece na votação europeia. Marine Le Pen demonstrou que, nas legislativas francesas, um em cada quatro votos não conta. Embora possua um quarto do eleitorado, a Frente Nacional não tem deputados na Assembleia Nacional ou voz nos órgãos de comunicação. O verdadeiro jogo de Le Pen não era nas europeias e a sua vitória é total, pois provavelmente vai provocar uma mudança na própria república francesa.

 

Em outros países, o chamado ‘arco da governação’ foi duramente penalizado. É a grande lição que se pode tirar dos resultados em Portugal e na Grécia. Os partidos profissionais de poder tiveram resultados miseráveis. Na Grécia, ganharam os radicais do Syriza e a Aurora Dourada ficou em terceiro; em Portugal venceu o PS, mas a soma entre aliança e socialistas deu apenas 2 milhões de votos e a menor percentagem de sempre para o somatório dos partidos do poder, um pouco menos de 60%.

Em Espanha ainda foi pior, pois a soma do vencedor, PP, com o PSOE, dá pouco mais de 50%. Os governos foram penalizados em vários países (Irlanda, Reino Unido, França, Suécia), mas também venceram em outros (Alemanha, Polónia, Espanha, Hungria, Itália). Os eurocépticos tiveram bons resultados e o mesmo se pode dizer da extrema-direita; os comunistas subiram, os verdes resistiram.

 

Com 212 eleitos, os conservadores do PPE venceram a nível europeu, o que coloca um problema: o PPE tem um candidato a presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, mas perdeu 59 deputados, pelo que seria absurdo premiar o partido que mais deputados perdeu. É um problema significativo, pois os conservadores ganharam as eleições, mas também a perderam. Para mais, é o Conselho Europeu que propõe a personalidade que depois será votada no parlamento. A figura proposta poderá não ser Juncker e julgo que, pela votação efectiva, não devia ser o candidato do PPE a ser proposto.

publicado às 12:57




Links

Locais Familiares

Alguns blogues anteriores

Boas Leituras