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Notas eleitorais: depois da crise

por Luís Naves, em 26.05.14

Nos países em estado de choque, os problemas da esquerda tiveram duas abordagens distintas. A Grécia radicalizou-se, mas em Itália o novo primeiro-ministro, Matteo Renzi, é um caso sério de popularidade e venceu as eleições com mais de 40%, embora os populistas do M5 tenham conseguido 21%. A direita quase desapareceu do mapa. Portugal, Espanha e Irlanda são talvez um terceiro caso, pois não estão a evoluir no sentido grego, mas também não imitam a Itália. Os dois países ibéricos parecem estar a caminhar para governos de bloco central, o que também é possível ocorrer na Irlanda, embora de forma não tão clara.

A Hungria, outro país que atravessou um colapso financeiro, é um caso semelhante ao italiano, mas inverso, pois o carismático Viktor Orban, que venceu as legislativas em Abril, reforçou o seu resultado, com 51% para os conservadores do Fidesz. A extrema-direita tóxica, Jobbik, ficou em segundo lugar, e os partidos da esquerda pós-comunista (associados à bancarrota) enfrentam uma longa travessia do deserto. Em resumo, superar a crise dá votos.

 

Os populistas, a extrema-direita e os eurocépticos estão a crescer em toda a Europa, mas os federalistas ganharam claramente estas europeias e controlam mais de dois terços do parlamento, onde haverá ainda mais acordos entre conservadores, socialistas, liberais e verdes, ocasionalmente com a junção dos conservadores-reformistas (a dissidência britânica e polaca do PPE). A fragmentação aumentará, talvez com mais dois grupos parlamentares. Curiosamente, não vi ontem nenhum jornalista a perguntar a Marinho Pinto a que grupo tenciona juntar-se (presumo que aos verdes), sendo claro que um eurodeputado que esteja fora dos grupos parlamentares não existe.

A extrema-direita dita mais moderada (franceses, holandeses, flamengos, austríacos) formará finalmente o seu grupo parlamentar; será também curioso ver para onde irão os eurocépticos do AfD alemão (talvez para o grupo conservador-reformista), mas no essencial está tudo na mesma, excepto nos países em crise ou pós-crise. O bloco central de socialistas e conservadores tem maioria nas grandes decisões deste parlamento, cujo eventual aumento de poderes seria um erro colossal.

publicado às 12:33




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