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Nas entrelinhas da realidade

por Luís Naves, em 06.12.14

Ao ler um texto que não me devia ter interessado, senti uma inesperada vaga de indignação e raiva. A ninharia não tinha importância, mas a angústia sufocou-me, provocando autêntica dor física. Tantas vezes, do meu exílio, assisto ao espectáculo dos hipócritas, mas saí de casa numa grande agitação, que apesar de tudo ninguém poderia adivinhar por fora. Brilhava um sol de Inverno, havia também um frio suave a cobrir as formas e as cores. Pessoas tristes andavam pelas ruas, com ar cansado, num passo preguiçoso e ausente, e o único sinal de alegria que encontrei foi a corrida frenética dos cães subitamente libertados. De resto, pairava na cidade um rumor nervoso e sentia-se no ar o peso de uma densa inquietude. Assim me pareceu de início, antes de me lembrar que um exilado não pode regressar ao que deixou para trás, esse mundo tão repleto de veneno que emerge por vezes nas entrelinhas da realidade.

publicado às 17:08




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