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Não somos diferentes

por Luís Naves, em 21.03.18

Os homens primitivos precisavam de saber o que estava para lá da montanha mais alta ou do rio caudaloso e, para isso, ouviam histórias daqueles que tinham explorado essas fronteiras. Não eram relatos factuais, mas exageros distorcidos pela imaginação, e só assim funcionavam. Não somos tão diferentes dos nossos antepassados, só mais organizados em rede, por isso, também gostamos de coboiadas, de histórias de aventuras e crimes, por isso necessitamos de ler, ou seremos apenas formiguinhas embaladas em caixas. E, no entanto, a ambição provocada pelos exercícios da imaginação vai desaparecendo da arte contemporânea, sobretudo devido à domesticação imposta pelo dinheiro. Estão a matar aquele um por cento de literatura que a humanidade ainda possuía. Ou talvez não, de vez em quando ouvimos pequenos testemunhos daqueles tios que ainda vão escrevendo: esforçam-se por explicar que a arte é uma ilusão em movimento e tentam extrair das realidades toda a essência que não se consegue dizer por palavras, tudo o que na experiência humana possa ser mais obscuro, indomável e desmedido.

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publicado às 14:08




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