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O sr. ministro da Saúde, à margem de uma conferência sobre “Cuidados de Saúde no Futuro”, decidiu levar o tema da conferência a sério, ser cordial para com a comunicação social e comentar com os jornalistas presentes a sua preocupação, que aliás é partilhada por muitos, com as formas de financiamento do Serviço Nacional de Saúde. Fez mal. Fez pessimamente. Ao mencionar algumas das formas de financiamento possíveis e a fazer fé no publicado, Paulo Macedo declarou que "(o SNS) deve ser financiado preferencialmente como é hoje, com os impostos dos portugueses de uma forma solidária, em que aqueles que podem mais, têm impostos progressivos, pagam mais". E acrescentou que a discussão “é necessária” e as opções devem ser apresentadas aos portugueses, “a quem cabe escolher”. Um disparate. Tolice suprema. Resultou da inopinada decisão do ministro de 1) Dar aos jornalistas um tema relacionado com a conferência a que assistiram 2) Defender que os portugueses optem pela melhor das soluções após serem informados das suas vantagens e desvantagens o seguinte: O ministro defende o aumento de impostos. Logo, o Governo quer aumentar os impostos. É isto que dizem as redes sociais e, como todos sabemos, arealidade é que se engana, não o facebook e o Twitter. No tempo de Churchill, afirmou Winston que "Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir". Agora, a verdade ainda nem escolheu a gravata e já a mentira está a fazer o check out num hotel dos antípodas. O melhor mesmo é dizer nada, sair das conferências com um aceno em passo estugado para a saída ou apenas, se indispensável, uma paragem técnica de um minuto para dizer algo como "A sustentabilidade do serviço nacional de saúde é um desígnio deste Governo". Ou: "Conferências como esta são um contributo indispensável da sociedade civil para um serviço nacional de saúde melhor". Acima de tudo, não falar do futuro. Evitar dar que pensar é a condição primeira da sobrevivência política. Não é? É que se não é parece.

publicado às 16:11
editado por Luís Naves a 28/6/17 às 11:30




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