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Não fazemos

por Luís Naves, em 31.08.16

A Europa é o factor que limita a acção da aliança dos partidos à esquerda. O cumprimento das regras de Bruxelas obrigará em breve a escolher entre desobediência externa ou ruptura interna. Ninguém com lucidez acredita na hipótese de cumprimento das regras europeias e obediência simultânea ao acordo tripartido. Esta contradição explica que os partidos à esquerda estejam a radicalizar o discurso de contestação à UE, algo que já entrou inclusivamente nas conversas de rua, com muitos cidadãos a acreditarem ingenuamente que a origem dos nossos problemas está numa Europa fragmentada que recusa respeitar as sensibilidades nacionais. O governo minoritário do PS está a ser pressionado pelos parceiros para desafiar as instituições europeias e seguir uma via distinta da que vigorou em Portugal desde a adesão às comunidade e que é, em grande medida, uma criação do próprio PS. Este novo eurocepticismo socialista é instrumental, retórico, pouco convicto, é um ‘não fazemos’ que procura manter o generoso acesso aos fundos comunitários, à livre circulação e mercado único. O caso dos partidos à esquerda do PS é diferente: comunistas e bloquistas acreditam que só é possível construir uma sociedade socialista fora da UE.

publicado às 13:30


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