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Mil palavras por dia

por Luís Naves, em 19.11.14

Mil palavras por dia e, no entanto, a sensação indelével de que serão inúteis, de que todas se perdem numa espécie de rarefacção que antecede o nada. As palavras que escrevo serão esquecidas, como acontece aos nossos melhores monólogos, como sucede aos momentos chuvosos que nos pareçam tremendamente importantes, nos dias prolongados, repletos de chuva miudinha e sempre igual que nos enche de melancolia. Sei que serão inúteis estas poucas linhas que coloco num espaço incerto, as palavras que alguém lerá de forma distraída e que jazendo aqui, neste limbo, vão adormecer, sob leves camadas de novas frases vazias. O mundo continuará a girar e avançará pela noite eterna e haverá muitos outros acontecimentos fugazes, envolvendo uma população transeunte, como aliás sucede nos formigueiros, com todos os dramas e tragédias de cada época. O tempo passa, como passam as palavras inúteis, e o mundo vivo caminha sobre o que vai morrendo. Serei enfim o chão das suaves memórias pisadas pelo tempo, que estarão ainda neste lugar nenhum, à espera de fazerem sentido.

publicado às 11:51


3 comentários

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De Um Jeito Manso a 20.11.2014 às 02:14

Umas passam, serão esquecidas, outras não. Estas não passam.
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De Miss X a 20.11.2014 às 10:40

As suas palavras nunca são inúteis, porque não as esqueço quando as leio. Como qualquer outro escritor que leio, há palavras suas que ficam e me marcam como sua leitora.
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De Luís Naves a 20.11.2014 às 11:17

agradeço muito estes comentários: é sempre bom perceber que alguém gosta dos textos que deixo nesta oficina.

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