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Metáforas e lendas

por Luís Naves, em 08.07.14

Nos últimos dias, ao vermos os jogos do Campeonato do Mundo de Futebol, temos aprendido sobre a importância do guarda-redes e a linha fina que separa a tragédia da glória. Os remates quase perfeitos, as defesas miraculosas, o pequeno receio que comprometeu o êxito, a hesitação interpretada como desistência, essa misteriosa componente da sorte, que alguns jogadores tentam atrair com rezas dirigidas aos deuses, os quais, pelo que consta, gostam deste desporto. O mais notável tem sido o voo dos guarda-redes, mas há quem prefira a lei do mais forte, as quedas fingidas ou os jogos mentais dos tácticos, todos eles peritos em xadrez e que transformam atletas em peças com funções, aquele limitado a bispo, outro a rainha imperial, o terceiro um esforçado peão. Tudo é também dissecado ao pormenor e, no final, ficaremos com novos mitos, todos eles recontados mil vezes, até já não recordarmos se aquela finta notável foi em certo jogo ou no anterior, se a defesa extraterrestre ocorreu no momento do triunfo ou antes. Anestesiados pelas emoções, poderemos concluir, como provavelmente chegou a pensar o narrador da Novela de Xadrez, que vimos aquele momento breve, de milagre, em que a ordem humana pairou sobre a opressão do mundo, tal como aconteceu naquela trégua lendária, em que o mal apesar de tudo acabou por triunfar de novo.

publicado às 13:20




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