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Memórias vagas

por Luís Naves, em 08.11.14

Vim a pensar o caminho todo e elaborei várias ideias, juntas em parágrafos que pareciam organizados e devidamente concluídos. Estava tudo escrito na minha cabeça, mas chegado a casa, estando eu em frente ao computador, não consigo lembrar-me de nenhuma das ideias que na altura, enquanto passeava pela rua, me pareciam tão claras e concretas. Faço um esforço de memória, mas não recordo os meus pensamentos, também não me lembro das pessoas com quem me cruzei e que me interessaram, pois tenho a sensação de ter estado atento ao que se passava à minha volta, à jovem dos doces, à velhota chata que levava a loja inteira e só queria conversa, o rapaz dos dentes tortos que se ria imenso, a mulher nervosa que contava a uma amiga detalhes de uns conflitos, talvez da família, talvez de trabalho. Lembro-me vagamente disto tudo, mas depois quero guardar os detalhes destas pessoas e não consigo reter os indícios suficientes. As memórias desfazem-se, deslizam em fragmentos, como água a correr entre os dedos.

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publicado às 12:20




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