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Mango Sashimi

por Luís Naves, em 03.01.15

Um repórter irónico entrevistou pessoas numa feira de arte americana e perguntou-lhes o que achavam do artista contemporâneo Mango Sashimi. O nome devia ter feito soar as campainhas de alarme, mas o facto é que as pessoas não estavam dispostas a passar por ignorantes e disseram coisas extraordinárias sobre a obra deste artista fictício, usando elogios vagos, mas mentirosamente firmes, incluindo o desejo espontâneo de adquirir trabalhos do autor, que não tinham sequer visto, pois não existiam. Mango Sashimi é uma boa ilustração de um aspecto perverso da arte contemporânea: o público está disposto a aceitar sem reflexão tudo aquilo que não compreenda e que surja no mercado com aura de génio ou com o selo da popularidade. Poucos estarão dispostos ao esforço suplementar de tentar distinguir o conteúdo da forma, de filtrar o que não passa de aparência ou de pose, ninguém busca a essência, preferindo o superficial, a procura da banalidade e a vertigem do vazio. Mango Sashimi nunca existiu, mas há outros artistas que como ele são apenas avaliados segundo o que dita a moda e o preconceito, entre sorrisos de aprovação a propósito de qualquer bagatela que façam ou digam, pouco importa se o que pintam ou escrevem é inovador ou trivial, basta o que se diz deles, basta aquilo que o mercado já decidiu à partida sobre o valor da sua arte ou da sua imitação de arte.

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publicado às 15:50




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