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Liga Europa

por Luís Naves, em 08.06.15

A sugestão de que os clubes portugueses não precisam da Liga Europa seria considerada louca e, no entanto, ao fim de 30 anos de integração europeia, algumas elites nacionais dizem que o nosso percurso europeu foi pouco feliz ou sem importância. Quase irrelevante, na realidade.

Devíamos fazer o exercício contrário: e se Portugal não estivesse na União Europeia? É fácil concluir que nunca teríamos recebido subsídios em larga escala, em média anual superior a 3% do PIB, portanto Portugal era muito mais pobre. Dois terços das nossas leis são europeias, por isso o quadro legal seria de pior qualidade e teríamos uma sociedade dominada por grupos de interesses, ainda mais provinciana e menos transparente. A corrupção seria bem pior, a rede social inferior, as desigualdades maiores, o sistema político mais instável.

O progresso das últimas três décadas não se compara a nenhum outro período de três décadas da nossa História e a mudança virtuosa que aconteceu devia ser atribuída em grande medida à integração europeia, mas isso não acontece. Pelo contrário, só ouvimos críticas, que os últimos anos foram uma calamidade por causa da Europa ou, ainda mais subtilmente, que o projecto europeu está esgotado e tem os dias contados. No fundo, muitos defendem para o País uma estratégia que, na analogia futebolística, levaria os clubes portugueses a abandonar a Liga Europa, pois aquilo não paga o suficiente pela maçada e exige esforço, investimento e trabalho. A ideia de menos Europa não resiste a cinco segundos de reflexão: como seria Portugal no exterior da União? Sem mercados, sem alianças, sem apoios, quanto tempo precisava o País para cair no caos e deixar de ser democrático?

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publicado às 11:26




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