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Invisibilidade

por Luís Naves, em 09.11.14

Tenho 53 anos e entrei na fase mais difícil da minha vida. Pela primeira vez, sinto que não tenho grande futuro. Destinado à pobreza e à invisibilidade, não vislumbro a saída do labirinto. Para mim, o pior sentimento é, apesar de tudo, a noção de que não farei um esforço suficiente que me permita sair disto, pois qualquer esforço será sempre insuficiente, sendo ‘isto’ a palavra que encontro para me referir a algo de indefinido, com uma vertente de mal-estar e outra feita de pura desesperança, esse mundo falso, tal como o encontrei. Suponho que o fracasso seja importante para se compreender verdadeiramente a natureza humana, uma lição pela qual têm de passar todos aqueles que sonham em servir o seu tempo. Ah, e constato aqui a minha dificuldade em encontrar as palavras certas: que é isso de ‘servir o seu tempo’? O meu lado negro, que me rosna por cima da orelha, pensa que me movia a ambição e o orgulho: o teu problema é a invisibilidade e tens medo da humilhação do anonimato. Para que querias tu servir um tempo que te rejeita? Pelo contrário, devias execrar a tua época com a mesma força com que ela te condena. Servir a hipocrisia, a pequenez e o gosto da frivolidade, era isso que fazias?

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publicado às 11:37




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