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Insensatez

por Luís Naves, em 16.02.15

Nas redes sociais encontramos em cada dia dezenas de exemplos de insinuações maldosas e pura má-língua, visando atingir a reputação de quem tenha uma opinião politicamente incorrecta. À medida que a campanha eleitoral se aproxima (e só faltam sete meses para as eleições) o tom das críticas torna-se mais agressivo. Em breve será histérico, mas já impede a serenidade em duas ou três discussões. O método das distorções mil vezes repetidas é um antídoto infalível contra a liberdade de expressão. Muitos que se reclamaram charlie não suportam uma opinião contrária à sua. A incoerência junta-se à falta de memória e à falta de ideias. No passado, os artigos de jornal podiam indignar leitores, mas estes reagiam através de cartas publicadas um mês depois. As controvérsias eram brandas e, quando havia polémicas, os adversários respondiam a artigos da concorrência e evitavam criticar colunistas do próprio jornal. Havia cavalheirismo, tempo para pensar e certa dose de exigência no argumentário. Agora, é tudo imediato, e a teimosia com que nas trincheiras se agarram aos detalhes produz bizarras discussões bizantinas. No fundo, instalou-se uma nova forma de censura: a incorrecção política está a ser progressivamente afastada dos média tradicionais, onde os comentadores apoiados por claques escrevem apenas o que se espera deles, citando-se uns aos outros, o único sinal de cortesia que persiste. São raros os que se atrevem a sair da linha justa, se tiverem tempo de antena.

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publicado às 19:19


1 comentário

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De cheia a 16.02.2015 às 19:48

Não sei a que linha justa se refere, mas posso lhe dizer que estou muito desiludido com os políticos, tanto os nacionais, como os que governam, ou desgoverna a Europa.
Por cá estão todos, agora, muito preocupados com a lei do enriquecimento ilícito. Quanto a mim, mais areia para os olhos dos eleitores.
Há anos, quando Cravinho propôs uma lei semelhante, expulsaram-no do Parlamento e enviaram-no para o Reino Unido.
Oxalá as sanções à Grécia, não venham a acabar mal!

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