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Incompreensão

por Luís Naves, em 02.06.16

Em Portugal, o jornalismo continua a não compreender que Polónia e Hungria são governadas por conservadores que já antes estiveram no poder. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán (lidera o Fidesz) não tem nada a ver com a extrema-direita, representada por um partido chamado Jobbik, que está na oposição e que Orbán mantém fora do alcance de qualquer influência. Felizes por não compreenderem isto, os meios de comunicação portugueses estão agora a alimentar um curioso mito paralelo sobre a Polónia, fazendo a amálgama entre os conservadores-católicos do partido no poder (que já governou em meados da década de 2000) e a extrema-direita europeia. A Polónia e a Hungria contestam ruidosamente as quotas obrigatórias de refugiados, mas invocam a lei (a regra não existe nos Tratados europeus). Os dois países são apoiados pela Eslováquia e República Checa, cujos governos de esquerda nunca foram diabolizados entre nós, embora sejam semelhantes aos seus vizinhos. O partido no poder na Hungria é pró-europeu e integra a família de partidos democrata-cristãos do PPE, os polacos são eurocépticos e, no parlamento europeu, estão ao lado dos conservadores  britânicos. Estes governos podem ser definidos como nacionalistas, conservadores, próximos da Igreja, demagógicos, populistas, iliberais, como quiserem, mas nunca como extrema-direita. 

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publicado às 11:14




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