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Incidente na fronteira

por Luís Naves, em 16.09.15

Estamos perante uma crise humanitária sem solução aparente, pelo menos enquanto os responsáveis europeus se limitarem a sacudir a água do capote. Para grande azar, esta crise surge num momento em que quatro estados membros da UE estão à beira de eleições, sendo perigosa para os respectivos governos qualquer tomada de decisão.

Hoje, no sul da Hungria, houve um protesto de centenas de migrantes que procuravam passar à força a fronteira. A polícia usou canhões de água e a multidão atirou pedras e avançou alguns metros. Este episódio vai acentuar as críticas à Hungria, que apesar de já ser a má da fita, recebeu 200 mil pessoas, quase sem ajuda europeia. Será pouco mencionado o facto destes refugiados quererem entrar num país a cujas leis recusam obedecer. Eles pretendem evitar o registo, que inclui impressões digitais, e exigem passagem livre pelo território.

O primeiro-ministro húngaro tem dois caminhos: deixa entrar toda a gente ou fecha a fronteira por um período insustentável. Cumprir o registo obrigatório previsto nas regras de Schengen é a terceira opção, mas cada vez mais difícil.

Esta crise dos refugiados é parecida com a recente crise das dívidas soberanas. Em ambos os casos, o que está em causa é saber se os países europeus cumprem as regras estabelecidas (da zona euro e da zona Schengen de livre circulação). A crise grega quase acabou com a moeda única. A crise dos refugiados está a estoirar com a liberdade de circulação no espaço europeu. Schengen encontra-se suspenso em vários países, com restrições ao trânsito, engarrafamentos gigantescos e prejuízos económicos. Entretanto, há milhões de refugiados em movimento na direcção da Europa.

Os países europeus parecem incapazes de cumprir os tratados que eles próprios criaram e a comunicação social, manipulando emoções, pressiona para que essas regras sejam ignoradas ou abandonadas. Aconteceu no caso grego, está a acontecer outra vez, de forma bem mais grave, ameaçando não a estabilidade financeira, mas a própria segurança e estilo de vida dos europeus.

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publicado às 19:47


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